Ao longo do Reno, Mosel e Eifel, principais rios onde os melhores vinhos alemães são produzidos, existem dezenas de castelos, palácios e ruínas medievais, a maioria aberta à visitação, sendo que vários deles oferecem mais do que simplesmente um tour interno. Um destes é o Burg Satzvey, que fica a uma hora de Bonn. Ele tem uma grade de programação extensa, recheada principalmente de eventos relacionados à Idade Média: torneio de cavaleiros medievais, luta de vikings, mercado das bruxas, noite dos fantasmas etc.
Em setembro fomos ao Wikingspiele. Muita comida boa, muitas barracas com roupas medievais e demonstrações de produção têxtil, de jóias e ferragens, apresentações musicais e performances. Participar de um evento destes é experimentar uma época remota só vista em filmes e livros, mas que é mantida viva por muitos grupos que se reúnem, se vestem e vivem hoje como se vivia naquela época. Outros simplesmente se fantasiam para participar do evento e entrar no clima.
Este é um grupo que está em todas as festas medievais que eu já fui. Parece algo meio punk misturado com tribal, escocês e gay. As misturas dão os resultados mais interessantes.
Relatos, crônicas e divagações sobre a vida na cidade de Bonn, Alemanha e, desde julho de 2013, também sobre a vida em Curitiba.
sábado, 17 de outubro de 2009
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Amélia nasceu na Índia
Fomos convidados por um colega de trabalho do Amanzor para um jantar em sua casa, juntamente com um casal inglês, um romeno e um americano. O que embananou o meio de campo foi o fato do anfitrião e sua família serem indianos. Por que será?
Quando mudamos para a Alemanha, apesar de ser um país do Ocidente, houve uns choquinhos culturais, sociais, alimentares, línguísticos etc. Mas não tivemos receios em relação à religião, economia, dress code, leis absurdas ou extremamente diferentes das brasileiras. Imagino que num país do Oriente eu viria a ter problemas sérios. E este convite foi pra mim um test drive.
Presente
Quando somos convidados pela primeira vez à casa de alguém, é costume alemão levar algum presente em agradecimento pelo convite. A dificuldade começou daí. Levar vinho? Levar flores? Levar alguma coisa pra casa? Como eles têm duas crianças, uma de 6 anos e um de 1 ano e meio, pensei em levar presente para eles, mas fiquei com receio de levar algo inadequado. Não sabia se havia alguma restrição quanto a brinquedos ou chocolate, por exemplo. Então, resolvi comprar um livro com dicas de lugares para passear com as crianças aqui na Alemanha. E pra não cometer nenhuma gafe ou me sentir tentada, nem máquina fotográfica levei.
Deuses indianos X deuses tecnológicos
Nunca tive vontade de ir à India, mas, nesta visita, tive a sensação de um pouquinho da Índia ter vindo até mim. Quando chegamos, Parkash, o anfitrião, que é super simpático mas que se negou a me cumprimentar no rosto, começou a nos apresentar o templo cheio de deuses que fica na sala de estar. Foi engraçado porque ele falou sobre eles com um certo humor. Sobre um deles ele disse: "Este é o deus que me protege quando eu viajo mas só se eu deixar 1 euro pra ele. Como ele não exige muito, é melhor não arriscar". Como os deuses eram muitos, inclusive alguns ainda vivem na Índia, ele disse que aquela aula tinha acabado e o resto ficava pra próxima. Enquanto isso, as crianças brincavam de Wii com uma televisão de tela plana enorme numa estante repleta de DVDs. A dona da casa, Krathi, estava na cozinha, veio nos cumprimentar e retornou.
Etiqueta ou nós à mesa...
Como receber convidados e como se comportar à mesa definitivamente varia de cultura para cultura e o que conhecemos por etiqueta é o que foi criado nesta banda do planeta. É à mesa que mais sentimos o choque cultural, tanto pelo que é servido, quanto pela forma de comê-lo.
Não havia mesa posta, nem pratos, nem talheres dispostos, somente pratos de papelão para os restos. Krathi trouxe a entrada: carré de ovelha e coxas de frango, com os ossos devidamente embrulhados em aluminio para se comer com as mãos. Como indiano gosta de comida apimentada e eles tem consciência disso (mas não muita), alguns dias antes, fomos perguntados se gostávamos de comida "temperada" e o Amanzor pediu para ser mais suave, se possível. O difícil é saber o que eles consideram mais suave. Na dúvida, eu tentei dar janta pra Lara em casa mas ela não quis por ser muito cedo. Então, resolvemos arriscar e ver se ela comeria alguma coisa. Krathi então nos mostrou o prato com a carne supostamente sem pimenta. Experimentei e quase perdi o fôlego. Tive a sensação de ter soltado fogo pelas ventas. Definitivamente, a Lara não comeria e nem eu deixaria que ela comesse. Em contrapartida, a menina de 6 anos se serviu dos mais apimentados e saiu lambendo os beiços e os dedos. Depois, ela retornou à mesa com uma prato cheio de arroz branco ( que eu achei ser a minha salvação) e um creme branco por cima, que o pai disse ser iogurte natural sem tempero. E aí ela começou a comer aquela meleca com as mãos. E eu tive que parar de olhar (podem me chamar de nojenta).
...e a esposa na cozinha
Me senti mal de estarmos todos na sala e a esposa sozinha na cozinha preparando as coisas. Fui até lá conversar e tentar ajudá-la mas, assim que cheguei, ela parou o que estava fazendo. Comecei a conversar mas vi que, se continuasse ali, iria atrapalhá-la, pois ela parou pra me dar atenção. Daqui a pouco, o marido, da sala, manda ela servir o jantar. Ela deve ter passado o dia inteiro cozinhando. Trouxe os panelões de comida: um creme de camarão seco, cubos de carneiro fritos, um arroz com frango parecido com risoto só que mais seco, uma sopa de vegetais com curry (só pra variar), o salvador arroz branco e potes e potes de iogurte natural. A aparência da comida estava ótima, mas infelizmente tudo tinha o mesmo gosto: pimenta, pimenta, pimenta, curry, curry, curry. Exceto o arroz, que não tinha gosto nenhum porque foi feito sem tempero algum. E pra que o iogurte? Pra aliviar a queimação da pimenta. Ã? Será que eu entendi direito? Eles enchem a comida de pimenta e depois comem iogurte natural pra aliviar? Pra mim isso é sofrer duas vezes. O Romeno teve que pedir socorro, pois a água não estava aliviando, e mandou pra dentro dois potes de iogurte, que disse ter sido o melhor iogurte que já comeu na vida, pois veio na hora certa.
Só olhando
Eu me servi de camarão e arroz branco. O camarão era seco e com casca. Comi super pouco e fui surpreendida com um "você só comeu isso? Tem que comer mais". Acho que pelo costume deles eu fui mal educada, pois me neguei a comer mais dizendo já estar satisfeita. Foi aí que percebemos que eles não estavam comendo. Perguntamos se fazia parte da tradição indiana não comer junto com os convidados. Eles disseram que antigamente era assim mas que agora eles simplesmente não estavam com fome. Depois de uns 40 minutos se serviram. Hora da sobremesa: uma bacia de frutas cortadas em cubos para serem comidas coletivamente com as mãos ( ou garfo se você não se sentisse à vontade).
Casamento
Se por um lado não invejei a situação de Krathi como mulher, por outro, a admirei como mãe - e posso dizer que ela me pôs no chinelo e me enrolou no Sari. Ela disse ter alfabetizado sua filha em inglês quando esta tinha 3 anos e que nas últimas férias, resolveu ensinar Tamil, a sua lingua mãe, para a menina. Ela teve a disciplina de durante todos os dias das férias, por uma a duas horas diárias (redundar para enfatizar), ensinar o alfabeto de 247 caracteres e que mais parece um bordado do que letra. E a menina, já sabe ler e escrever isso, além de já sabe tocar piano muito bem. Meus deuses!!!
Despedida
A Lara costuma ir dormir por volta das oito e meia, nove horas da noite. Sempre foi assim ou mais cedo. Já eram 23h30 e perguntei a que horas o bebê costumava ir para a cama e disseram que nunca antes da meia-noite. Nossa! Que ânimo o dessa mulher! Mas eu já tinha perdido o fôlego fazia tempo e então resolvemos nos despedir. Qual não foi a nossa surpresa quando Parkash nos trouxe uma embalagem enoooooorme de chocolate para a Lara. E eu que estava achando que chocolate para as crianças deles não seria um bom presente!
Quando mudamos para a Alemanha, apesar de ser um país do Ocidente, houve uns choquinhos culturais, sociais, alimentares, línguísticos etc. Mas não tivemos receios em relação à religião, economia, dress code, leis absurdas ou extremamente diferentes das brasileiras. Imagino que num país do Oriente eu viria a ter problemas sérios. E este convite foi pra mim um test drive.
Presente
Quando somos convidados pela primeira vez à casa de alguém, é costume alemão levar algum presente em agradecimento pelo convite. A dificuldade começou daí. Levar vinho? Levar flores? Levar alguma coisa pra casa? Como eles têm duas crianças, uma de 6 anos e um de 1 ano e meio, pensei em levar presente para eles, mas fiquei com receio de levar algo inadequado. Não sabia se havia alguma restrição quanto a brinquedos ou chocolate, por exemplo. Então, resolvi comprar um livro com dicas de lugares para passear com as crianças aqui na Alemanha. E pra não cometer nenhuma gafe ou me sentir tentada, nem máquina fotográfica levei.
Deuses indianos X deuses tecnológicos
Nunca tive vontade de ir à India, mas, nesta visita, tive a sensação de um pouquinho da Índia ter vindo até mim. Quando chegamos, Parkash, o anfitrião, que é super simpático mas que se negou a me cumprimentar no rosto, começou a nos apresentar o templo cheio de deuses que fica na sala de estar. Foi engraçado porque ele falou sobre eles com um certo humor. Sobre um deles ele disse: "Este é o deus que me protege quando eu viajo mas só se eu deixar 1 euro pra ele. Como ele não exige muito, é melhor não arriscar". Como os deuses eram muitos, inclusive alguns ainda vivem na Índia, ele disse que aquela aula tinha acabado e o resto ficava pra próxima. Enquanto isso, as crianças brincavam de Wii com uma televisão de tela plana enorme numa estante repleta de DVDs. A dona da casa, Krathi, estava na cozinha, veio nos cumprimentar e retornou.
Etiqueta ou nós à mesa...
Como receber convidados e como se comportar à mesa definitivamente varia de cultura para cultura e o que conhecemos por etiqueta é o que foi criado nesta banda do planeta. É à mesa que mais sentimos o choque cultural, tanto pelo que é servido, quanto pela forma de comê-lo.
Não havia mesa posta, nem pratos, nem talheres dispostos, somente pratos de papelão para os restos. Krathi trouxe a entrada: carré de ovelha e coxas de frango, com os ossos devidamente embrulhados em aluminio para se comer com as mãos. Como indiano gosta de comida apimentada e eles tem consciência disso (mas não muita), alguns dias antes, fomos perguntados se gostávamos de comida "temperada" e o Amanzor pediu para ser mais suave, se possível. O difícil é saber o que eles consideram mais suave. Na dúvida, eu tentei dar janta pra Lara em casa mas ela não quis por ser muito cedo. Então, resolvemos arriscar e ver se ela comeria alguma coisa. Krathi então nos mostrou o prato com a carne supostamente sem pimenta. Experimentei e quase perdi o fôlego. Tive a sensação de ter soltado fogo pelas ventas. Definitivamente, a Lara não comeria e nem eu deixaria que ela comesse. Em contrapartida, a menina de 6 anos se serviu dos mais apimentados e saiu lambendo os beiços e os dedos. Depois, ela retornou à mesa com uma prato cheio de arroz branco ( que eu achei ser a minha salvação) e um creme branco por cima, que o pai disse ser iogurte natural sem tempero. E aí ela começou a comer aquela meleca com as mãos. E eu tive que parar de olhar (podem me chamar de nojenta).
...e a esposa na cozinha
Me senti mal de estarmos todos na sala e a esposa sozinha na cozinha preparando as coisas. Fui até lá conversar e tentar ajudá-la mas, assim que cheguei, ela parou o que estava fazendo. Comecei a conversar mas vi que, se continuasse ali, iria atrapalhá-la, pois ela parou pra me dar atenção. Daqui a pouco, o marido, da sala, manda ela servir o jantar. Ela deve ter passado o dia inteiro cozinhando. Trouxe os panelões de comida: um creme de camarão seco, cubos de carneiro fritos, um arroz com frango parecido com risoto só que mais seco, uma sopa de vegetais com curry (só pra variar), o salvador arroz branco e potes e potes de iogurte natural. A aparência da comida estava ótima, mas infelizmente tudo tinha o mesmo gosto: pimenta, pimenta, pimenta, curry, curry, curry. Exceto o arroz, que não tinha gosto nenhum porque foi feito sem tempero algum. E pra que o iogurte? Pra aliviar a queimação da pimenta. Ã? Será que eu entendi direito? Eles enchem a comida de pimenta e depois comem iogurte natural pra aliviar? Pra mim isso é sofrer duas vezes. O Romeno teve que pedir socorro, pois a água não estava aliviando, e mandou pra dentro dois potes de iogurte, que disse ter sido o melhor iogurte que já comeu na vida, pois veio na hora certa.
Só olhando
Eu me servi de camarão e arroz branco. O camarão era seco e com casca. Comi super pouco e fui surpreendida com um "você só comeu isso? Tem que comer mais". Acho que pelo costume deles eu fui mal educada, pois me neguei a comer mais dizendo já estar satisfeita. Foi aí que percebemos que eles não estavam comendo. Perguntamos se fazia parte da tradição indiana não comer junto com os convidados. Eles disseram que antigamente era assim mas que agora eles simplesmente não estavam com fome. Depois de uns 40 minutos se serviram. Hora da sobremesa: uma bacia de frutas cortadas em cubos para serem comidas coletivamente com as mãos ( ou garfo se você não se sentisse à vontade).
Casamento
Depois dizem que brasileiro que é cara de pau e pergunta as coisas na bucha. A inglesa perguntou se o casamento deles tinha sido arranjado pela família. E Parkash disse: "Claro!". E a inglesa quis saber como foi. Ele estudava na Malásia - hoje é especialista em sistemas de informação - e toda vez que voltava pra casa a família dizia que estava na hora de casar, mas ele conseguia postergar. Então, teve uma vez que ele retornou e o pai já estava com 4 ou 5 pretendentes preparadas. Ele teve que visitá-las e escolher uma delas, sem nem mesmo poder ver o rosto direito pois elas tem que manter o queixo no peito e não olhar para o pretendente. Ele escolheu Krathi e, sem terem conversado, se casaram - há 9 anos. A inglesa perguntou se ela pensou em rejeitá-lo. Ela disse que isso não passa pela cabeça das mulheres indianas, pois elas devem respeito aos pais e o que eles decidem é o melhor para elas. Pensei cá com os meus botões, essa é a verdadeira Amélia, o que não quer dizer que é a mulher de verdade, só uma variação sobre o mesmo tema.
Educação
Despedida
A Lara costuma ir dormir por volta das oito e meia, nove horas da noite. Sempre foi assim ou mais cedo. Já eram 23h30 e perguntei a que horas o bebê costumava ir para a cama e disseram que nunca antes da meia-noite. Nossa! Que ânimo o dessa mulher! Mas eu já tinha perdido o fôlego fazia tempo e então resolvemos nos despedir. Qual não foi a nossa surpresa quando Parkash nos trouxe uma embalagem enoooooorme de chocolate para a Lara. E eu que estava achando que chocolate para as crianças deles não seria um bom presente!
Foi uma noite com conversa super agradável, fartura de simpatia e de comida, apesar dos meus olhos cheios d´água. Foi bom ver que diferenças culturais, alimentares, religiosas não nos fazem menos humanos ou mais porcos ou mais certos ou mais errados - em algum lugar do mundo isso é normal, é ser igual, independente de classe social ou casta. Foi bom ver que não é necessário se adaptar a tudo quando vivemos num lugar diferente e que nossas convicções pessoais ou culturais podem ser mantidas, sem vergonha de distoarmos da maioria. Dizem que em terra de sapo de cócoras com eles, mas também dizem que it takes all sorts to make a world e também que one man´s meat is another man´s poison. Já pensou que chato e entediante se todos fóssemos, pensássemos e agíssemos iguais?
Exemplo de uma palavra escrita em Tamil
Me perdoem os que sabem ler se o que estiver escrito for palavrão.
sábado, 10 de outubro de 2009
Mine, mine,mine!!!
Temos tido companheiras frequentes em nosso jardim. Nunca pensei que um dia fóssemos dar pão pra gaivota diretamente da varanda de casa. Em São Paulo, nosso apartamento fica no décimo andar em plena Avenida Jabaquara e a gente ficava extasiado de ver uma cegonha que passava todo dia pela nossa janela. A gente achava que ela passava de manhã do Jardim Botânico para o Ibirapuera e a tarde fazia o caminho de volta, como se também seguisse a rotina de trabalho da cidade. Também ficávamos admirados de ter um urubu que fez um ninho na sacada de uma janela do prédio vizinho - o dono do apartamento também devia gostar da idéia, pois parecia não se importar com o hóspede. Aqui não tem urubu, mas tem um pássaro lindo chamado "elster" que tem fama de ladrão porque leva embora tudo que brilha e gosta de revirar lixo também. Já tive a surpresa de encontrar meu lixo todo revirado na varanda, fiquei quietinha e vi quem era o culpado. Também tem muito corvo, que acho ser um bicho imponente e meio assustador.
Voltando às gaivotas. Elas estão acostumadas a pedir pão pra gente. Uma amiga minha, a Samara, que mora em Calgary, disse que isso é proibido no Canadá. Mas aqui acho que não é, senão os alemães não fariam isso. Então, a gente segue o ditado "Monkey see, monkey do".
Não sei porque mas tive a impressão de já ter escrito sobre isso.
Voltando às gaivotas. Elas estão acostumadas a pedir pão pra gente. Uma amiga minha, a Samara, que mora em Calgary, disse que isso é proibido no Canadá. Mas aqui acho que não é, senão os alemães não fariam isso. Então, a gente segue o ditado "Monkey see, monkey do".
Não sei porque mas tive a impressão de já ter escrito sobre isso.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Teoria de Cordas -
Terça-feira passada foi divulgado o resultado da premiação do Nobel de Física. Os prêmios foram dados para três cientistas devido às suas descobertas/invenções entre as décadas de 60/70 que deram base para o surgimento da internet e da digitalização de imagens. Ou seja, levou 40 anos para que eles ganhassem o prêmio. Por que estou falando sobre isso já que nenhum deles é alemão e o prêmio Nobel é sueco? Não fossem os três, eu não estaria escrevendo este blog. Não fosse o blog...
Há uns dois meses, um brasileiro googlou "Bonn" e a primeira referência foi o meu blog. Ele me contatou por e-mail pedindo informações específicas sobre a cidade e o modo de vida, pois em setembro viria para cá estudar como bolsista da Universidade de Bonn. Ontem, tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. O nome dele é Daniel, tem 21 anos e ficará por aqui durante uns 3 ou 4 anos até completar o seu Doutorado em Física, mais especificamente em "Teoria das Cordas"(me corrija, Daniel, se eu estiver errada). Ele entrou na Universidade de Brasília aos 15 anos; aos 20, obteve o título de Mestre pela Unesp, no campus da capital; e agora está por aqui para se tornar Doutor em Física.
Por enquanto, ele está vendo na prática como a teoria do "make ends meet" funciona, apertando o cinto até aprender a se virar por aqui. Com o frio e a neve, vai aprender que a lei da inércia e da gravidade funciona, principalmente, se não estiver com o sapato apropriado; que abaixo de zero, tudo que tem líquido congela, incluindo o corpo humano, se não estiver vestido adequadamente; que a eletrostática por estes lados é de chocar; que o frio atrai o quente e por isso tem que aprender a usar o Heizung direito pra não sofrer no bolso; que "Go Green" é mais do que ficar verde de raiva com a violência e o trânsito caótico das capitais brasileiras e sim um estilo de vida já praticado por aqui; que no mundo nada se perde, tudo se transforma e que a reciclagem é lei, passível de multa, se não cumprida; ; que Bonn é um outro planeta e que aqui somos "Legal Aliens"; que Bonn é multiculti e que, apesar de dois corpos não poderem ocupar o mesmo espaço, muitos países podem ocupar uma mesma cidade; que, se não for bem calculado com precisão matemática, o dinheiro viaja pra fora do bolso à velocidade da luz; e outros infinitos, incontáveis, imensuráveis achados.
Quem sabe, daqui a uns 30, 40 anos, ao ser divulgado o prêmio Nobel de Física, eu não vou poder dizer que conheço o ganhador? Só não vou poder dizer: - "Peguei esse menino no colo!", como normalmente as vovós de 80 anos dizem, basta ver o tamanho dele perto de mim na foto abaixo. Boa sorte, Daniel, e bem vindo à Bonn.
Por enquanto, ele está vendo na prática como a teoria do "make ends meet" funciona, apertando o cinto até aprender a se virar por aqui. Com o frio e a neve, vai aprender que a lei da inércia e da gravidade funciona, principalmente, se não estiver com o sapato apropriado; que abaixo de zero, tudo que tem líquido congela, incluindo o corpo humano, se não estiver vestido adequadamente; que a eletrostática por estes lados é de chocar; que o frio atrai o quente e por isso tem que aprender a usar o Heizung direito pra não sofrer no bolso; que "Go Green" é mais do que ficar verde de raiva com a violência e o trânsito caótico das capitais brasileiras e sim um estilo de vida já praticado por aqui; que no mundo nada se perde, tudo se transforma e que a reciclagem é lei, passível de multa, se não cumprida; ; que Bonn é um outro planeta e que aqui somos "Legal Aliens"; que Bonn é multiculti e que, apesar de dois corpos não poderem ocupar o mesmo espaço, muitos países podem ocupar uma mesma cidade; que, se não for bem calculado com precisão matemática, o dinheiro viaja pra fora do bolso à velocidade da luz; e outros infinitos, incontáveis, imensuráveis achados.
Quem sabe, daqui a uns 30, 40 anos, ao ser divulgado o prêmio Nobel de Física, eu não vou poder dizer que conheço o ganhador? Só não vou poder dizer: - "Peguei esse menino no colo!", como normalmente as vovós de 80 anos dizem, basta ver o tamanho dele perto de mim na foto abaixo. Boa sorte, Daniel, e bem vindo à Bonn.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Estudar e pesquisar na Alemanha
A Sandra Santos, do Mineirinha na Alemanha, publicou um post sobre Feira de Intercâmbio acadêmico na Alemanha, que acontecerá em São Paulo no dia 24 de outubro. Vai lá dar uma olhada.
Assinar:
Postagens (Atom)