quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Voce está "celta" disso?

As marcas da vida aparecem sem avisar e sem que a gente queira. Pés de galinhas foram deixando suas pegadas devagarinho. Estrias, celulite, sardas, pintas, verrugas, marcas de expressão chegaram de mansinho e eu, que não sou nada vaidosa e não tenho o hábito de ficar me olhando no espelho, quando olhei, tive a impressão que apareceram da noite pro dia. E então bateu um desespero. Como boa "depressiva" que sou, sentei, chorei e me esbaldei no chocolate e no carboidrato, abraçando o inimigo e desistindo de lutar sem nem mesmo ter começado.
Outras marcas surgem ou são produzidas por contingência: vacinas nos dois braços, uma cicatriz no dedão do pé para tirar um olho de peixe quando era adolescente, três micropontos no abdomen para cirurgia de endometriose, marcas no rosto da catapora que peguei quando estava na faculdade - fiquei sabendo há poucos meses que a culpada foi a Dona Rita Machado (fofa que meu deu o cano e não veio me visitar na primeira semana de janeiro) - e a marca da cesariana, muito bem feita por sinal pelo meu querido médico, Dr. Marcelo.
Como nunca fui muito agitada, esportiva, sapeca ou descuidada, não tenho marcas provocadas por acidentes, por exemplo. Ainda bem. E, apesar da minha saúde não tão de ferro, também não tenho cicatrizes de grandes cirurgias ou tratamentos médicos.
Virou o ano e depos de tantas marcas do que se foi e que insistem em ficar sem que eu queira, era chegada a hora de  tomar as rédeas da situação, mostrar que sou maior de idade (há muito tempo), dona do meu nariz e do resto que vem com ele e  faço do meu corpo o que bem quiser, até mesmo não cuidar dele.
Por isso, decidi me dar uma tatuagem. Não uma coisinha pra ser admirada pelos outros, pra tornar meu corpo mais atraente ou chocante, pois, gorda como estou, a última coisa que quero é chamar atenção. Eu queria algo que tivesse significado pra mim, uma marca que eu mesma quis ter, quando e onde eu quis ter, com as cores que eu gosto.
Foi no primeiro dia do ano que resolvi fazer a tatuagem. O tatuador estava ali no quintal mesmo. Meu querido irmão, Eduardo - Du Tattoo - foi quem fez em 15 minutos o que eu demorei o dia inteiro pra escolher. Fiz nas costas porque, como ele disse, não tem como enjoar da tattoo. Se fosse em um lugar constantemente visivel pra mim, como me conheço, acho que teria problemas.

Por que escolhi o que escolhi?






Tatuagem ainda em cicatrização. Dá-lhe pantenol
Eu sempre gostei das formas celtas. Elas parecem bordados e o jogo de cores, quando tem, me fascina. Elas me remetem a algo intrincado, misterioso, poderoso. Na maioria das vezes, os Nós Celtas não tem começo nem fim pois simbolizam a eternidade e o infinito. O círculo no meio significa união. As cores que escolhi são minhas preferidas desde quando, aos 8 anos, ganhei uma caixa de lápis de cor aquareláveis "Caran D'Ache" . Além de um significado pessoal que mantenho só pra mim, este símbolo é místico, mítico, lúdico, mágico, bíblico, rústico, músico e  tem outros tantos significados, entre eles:
  • Os 4 pontos cardeais
  • As 4 estações
  • Os 4 cantos do mundo
  • Os 4 elementos
  • As 4  fases da Lua
  • As 4 operações
  • Os 4 evangelhos
  • Os 4 grupos sanguíneos
  • Os 4 estados da matéria
  • As 4 letras da palavra amor/love
  • Os 4 Beatles
  • Os 4 cavaleiros do apocalipse
  • Os 4 Fantásticos
  • Os 4 Teletubbies
  • A posição que Napoleão perdeu a guerra
E pra quem acha que estou viajando,
  • As 4-letter words
Alguma outra sugestão pra acrescentar na lista?

Bem, o que está feito não esta por fazer. Mas tenho idade suficiente para responder por meus impulsos e responder pelos meus atos e principalmente pagar por eles  - apesar da minha tatuagem ter sido presente do meu irmão. Agora, eu vou ser a última a dizer pra minha filha que ela não pode fazer uma tatuagem , caso queira ter uma. Mas serei a primeira a não deixar que ela o faça antes de ter idade pra tal, poder pagar por ela pelos próprios meios e saber que rumo irá tomar na vida.  Fazer uma tatuagem tem que ser uma decisão consciente e deve-se estar ciente que, em caso de arrependimento, existe solução, mas é um daqueles casos em que a emenda fica muito pior do que o soneto.

Modelo usado para a minha tatuagem

Vale lembrar que no Estado de São Paulo, a lei 9828/97 proíbe piercings e tatuagens em menores de 18 anos mesmo com autorização explícita dos pais.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Ilha das Flores - Consumismo

Neste final de semana, estou participando de uma pesquisa online sobre consumo, consumismo, anticonsumismo e sustentabilidade. Aqui um video antigo sobre o que é uma cadeia de consumo.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Estamos de volta !!! - 2

Esta foi a paisagem que encontramos em nosso quintal quando chegamos do Brasil. Liiiiiiiiindo!!! As fotos tiradas de noite são de ontem e as de dia são de hoje. Parece que foram tiradas em preto e branco, mas não foram.



















Nome é tudo e imagem também - Bota na poupança!!!

Tem gente que bota todo dinheiro que sobra na poupança. Tem gente que bota no Rabo.
Rabobank.
Há anus fazendo parte dos anais econômico-financeiros ao redor do mundo.
No Brasil, também tem.




Fotos tiradas de paineis eletrônicos no Aeroporto de Schiphol

Estamos de volta!

Voltamos do Brasil ontem e tenho que reconhecer que a possibilidade de voltar a viver lá não me pareceu algo tão ruim, se não for em São Paulo. Desta vez, tive algumas impressões diferentes daquelas que tive em outras vezes e sobre as quais escrevi em posts anteriores .
Saímos de Bonn com doze graus negativos. Chegamos em São Paulo com 25 graus - trinta e sete graus mais quente.  Que calor!!! Muita umidade e muito suor. Mas tudo muito bom, exceto trânsito e  uma faringite que ainda não me largou - culpa do ar condicionado do avião e da poluição. Se não tivesse sido vacinada contra o a gripe H1N1, já ia ficar com a pulga atrás da orelha.


Neve no aeroporto Schiphol em Amsterdam 6 am


Decoração de Natal no aeroporto

Percebi de cara algumas diferenças gritantes entre aqui e lá que poderiam facilitar a minha vida aqui e lá, se aqui aprendesse com lá e vice-versa:
  •  Leis de trânsito - ninguém respeita, só se o risco for muito grande. Não vi tantos motoqueiros nas ruas desta vez, talvez por ser época de festas, mas vi muita barbeiragem.
  • Trocentos buracos nas ruas e muitos deles camuflados pela iluminação ruim.
  • Sinalização péssima e semáforos não sincronizados.
  • As estradas são projetadas para projetar o carro para fora delas.
  • As calçadas não são adequadas para deficientes ou para carrinhos de crianças.
  • Curitiba tem algumas ciclovias e acho que São Paulo quase nenhuma, na verdade, não vi nenhuma. Mas também os morros não ajudam. Aqui em Bonn é quase tudo plano e já existe a cultura de se andar de bicicleta desde criança. As pessoas são mais saudáveis e fortes por isso e conseguem andar de bicicleta por serem mais fortes e saudáveis. É normal ver gente nos seus 80 e poucos anos indo às compras de bicicleta por aqui. Já em Curitiba uma moça não estava conseguindo pedalar um morrinho acima ( eu também não consigo). No Brasil, os motoristas ainda não aprenderam a respeitar nem pedestre na faixa de segurança quando mais ciclistas. Já, segundo a Lei de Transito alemã, o mais forte tem que proteger o mais fraco: o caminhão protege o carro, o carro protege o ciclista e este o pedestre e todos tem seus direitos e deveres no trânsito.
  • Taxistas - aqui em Bonn tem uma única companhia de taxi. Só tem um número de telefone pra onde se liga pra conseguir um taxi - 555555 - e eles chegam em menos de 3 minutos. Todos tem a mesma cor - creme bem clarinho - são carros grandes, confortáveis e bem conservados. Em São Bernardo do Campo, o primeiro - e único - táxi que pegamos foi de matar. Primeiro, o taxista parou no meio da rua e, quando viu que tinhamos mala, se limitou a abrir o porta-malas sem sair do carro. O carro estava cheio de jornal no banco traseiro - que ele não se importou em tirar - estava sujo, velho e barulhento. O taxista não ouvia direito e discutiu o caminho com a gente. E os cintos de segurança traseiros não estavam disponíveis, se é que existiam.
  • Poluição sonora, visual e do ar - Deus que me livre!!! Existe um zumbido constante, um cheiro de escapamento, muita pichação, fios elétricos e outdoors. Não existe planejamento urbano.  Curitiba já é bem melhor em termos de poluição visual, mas ainda peca em poluição sonora.
  • Vivemos enjaulados no Brasil e certamente os muros altos e as grades não ajudam a embelezar a cidade. No entanto, aqui também não estamos livres dos assaltos. A minha vizinha brasileira e que mora na mesma rua foi assaltada pela segunda vez. A primeira vez foi há exatamente 1 ano na véspera do Natal. E dessa vez foi exatamente da mesma forma, saiu por três horas e quando voltou a casa tinha sido arrombada.
  • Abordagem nos faróis e medo de ser assaltado nos caixas eletrônicos é de deixar a gente doido.
  • Na Alemanha, os tamanhos de roupas infantis correspondem à altura da criança. Então, se seu filho mede 1,16 cm, voce compra uma roupa 116 e não tem como errar, já que quem tem 116 cm usa 116. Mas, no Brasil, você compra roupa por idade. E crianças da mesma idade podem ter tamanhos completamente diferentes. Além disso, não existe um padrão. Uma camiseta tamanho 4 pode ter vários tamanhos dependendo da confecção. A minha filha de 4 anos pode usar tanto uma blusa tamanho 6 quanto uma tamanho 8, mas nunca consegui uma tamanho 4 que servisse nela.
  •  Por que que aqui ainda não aprenderam a fazer pizza? A pizza é invenção italiana, mas certamente foi aprimorada pelos brasileiros. Não existe pizza melhor do que a brasileira em lugar nenhum que já fui.
  • Pizzaria Avenida Paulista em Curitiba
    Decoração linda
    Lara ganhou um bolo de algodão doce
  •  Eu não me conformo em não ter pastel por estes lados. Nem pão de queijo. Eu comeria uns dez por dia. Pensando bem, ainda bem que não tem.
  • Pastel na estrada da Graciosa indo para Morretes - PR
  •  Possibilidade de pedir ou ser oferecida um descontinho. Fui comprar um vestido de festa, no caso de irmos de novo para o Brasil no casamento do nosso sobrinho Rodrigo ( primeiro sobrinho a se casar). No Brasil eles são bem mais baratos e em loja de rua muito mais barato ainda do que em Shopping Center. Entrei numa lojinha na rua Marechal Deodoro em São Bernardo. Já tinha achado o preço da vitrine em conta, mas a vendedora já veio me dizendo que ia ter um descontão no caixa por que já era dia 02 de janeiro e as festas já tinham acabado, e se levasse duas peças o desconto seria maior. Pelo valor da vitrine, um dos vestidos sairia 150 reais ( 60 euros - uma pechincha para os padrões daqui) e o outro 120. Paguei 120 reais pelo primeiro e 60 reais pelo segundo.
  •  A melhor coisa foi acordar de manhã e ir tomar café na padaria da esquina com um pão com queijo quente, pão na chapa, vitamina de frutas e uma média. Também sinto falta disso por aqui.
  • Costureira, manicure e sapateiro em Bonn é artigo de luxo e paga-se muito caro por estes serviços sem a qualidade do mesmo serviço  no Brasil.
  • Cabeleireiro então! Ainda não encontrei um aqui que me agradasse. Por isso, espero até ir pro Brasil pra meu cunhado, Paulinho, dar um jeito na cabeleira. Ainda bem que aqui meu cabelo fica parecendo que eu fiz chapinha, enquanto que no Brasil fica todo ouriçado por causa da umidade.
  •  Costumam dizer que alemão é muito mal educado. Dessa vez, percebi que gente mal educada e de mau humor é muito fácil encontrar pelas ruas tupiniquins também.
PS: como disse o Daniel nos comentários, na verdade, não houve assalto na casa da minha vizinha e sim invasão de domicílio. Mas os assaltos também existem, principalmente, em casas de pessoas idosas que não tem como se defender e são enganadas com a história do parente que veio visitar e pede pra abrir a porta.

LinkWithin

Blog Widget by LinkWithin