quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Dei uma de alemão...

...só que escrevi a carta em inglês, devido ao meu alemão precário.


Bonn, 15th September 2010


IKEA Deutschland
Niederlassung Köln-Godorf
Godorfer Hauptstr. 171
50997 Köln

To Einrichtungshaus-
chef Köln-Godorf

Dear Mr. Kräuter,

Last Saturday, my family visited IKEA and my 5 year old daughter stayed at the Smaland (Spielplatz) while my husband and I went shopping. About an hour later, we returned to pick her up and she showed us an injury on her left knee which was covered with an Ikea Pflaster. She told us that the wound was made while playing at the ball pool. Later that day we were able to see that the wound was perfectly round with the size of a 5 cent euro coin.
On Sunday, she woke up feeling pain and unable to put her left leg on the floor. The wound was with a strange aspect and the area around it was completely red. That same afternoon she started to have high fever. We took her to the pediatrician who said the injury was highly infected and that she needed to go through a treatment with the disinfection of the area twice a day  as well as take antiobiotics for 7 days to avoid the spread of the infection. For this whole week, she cannot attend Kindergarten and her regular activities, demanding constant attention and care at home, what makes her really sad and bored.
The speed in which the problem evolved took us by surprise and  worry. We do not intend do take any legal actions against IKEA, but if this happens to somebody else, they  may want to do so. Therefore, we would like to recommend you the following:
1.     Look into the ball pool to see what might have caused the injury to my daughter´s knee (it seems to me that it was the head of a screw).
2.     Do the maintenance of the toys regularly.
3.     Prepare the staff/caretakers to give first aid. I am sure that my daughter´s wound had not been properly cleaned and that the hands of the person who attended my daughter were not either, due to the speed that the infection evolved.
4.     Ask the staff of the Spielplatz to immediately call the parents in case of injury. They are not prepared to decide if  an injury is minor or not. The parents are the ones that have to decide if the child can continue playing or not.

Yours sincerely,


Familie Soffiatti

Lusofonia

Hoje à tarde, fomos ao escritório do INSS alemão (Deutsche Renteversicherung, se não me engano) aqui em Bonn pra pedir esclarecimentos sobre uma carta de umas oito páginas que o Amanzor recebeu perguntando onde ele estava de 1984 (quando tinha 17 anos) até começar a  recolher valores para o instituto. em janeiro de 2006, quando viemos para a  Alemanha. 
Fomos torcendo pra encontrar alguém que falasse inglês porque o meu alemão não é suficiente para entender assuntos mais complicados. Chegamos 10 minutos antes de acabar o expediente e a primeira pergunta fiz em alemão. Como não captei a resposta,  a segunda foi "Sprechen Sie Englisch?".  "Nein" e aí a porca torceu o rabo. Pra não perder a viagem, vamos tentar. A senhora, então, começou a explicar e eu pegava uma coisa aqui outra ali. Então, antes de uma nova pergunta, eu acrescentei "Wir kommen aus Brasilien und..." E aí o mundo ficou lindo. Ela virou e disse: "Ah, então, podemos conversar em português". Eu caí na gargalhada. Ela foi desde o começo muito simpática e esclarecedora e ainda se ofereceu pra traduzir o formulário pra gente numa quinta-feira quando ela trabalha até as 18h. Ainda bem que tivemos a sorte de encontrar  uma "colinguânea". Ah, se tivéssemos essa sorte sempre!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Vá tomar banho

Todo mundo sabe que europeu em geral não tem o hábito de tomar banho todos os dias. Não que isso seja regra inquebrável, pois existem os que assim o fazem. Mas o interessante é saber que não tomar banho é algo que vem de berço. 
Estava eu na sala de espera da ginecologista, quando resolvi folhear uma revista sobre filhos, bebês e companhia. Uma das reportagens era sobre dar banho no bebê.  Dermatologistas de uma universidade fizeram uma pesquisa em que dois grupos de crianças foram analisados: um grupo só foi lavado com Waschlappen (um paninho - nem sempre - descartável especifíco para este fim e usado por adultos também) por duas semanas seguidas e outro grupo foi lavado com Waschlappen e duas vezes por semana por banho de imersão. Os experts concluíram que  não há nada de errado e até é mais saudável que a criança tome no máximo dois banhos inteiros por semana, mas sem adição de nenhum sabonete.  Eles também concluiram que não é necessário dar banho no primeiro dia e que o recém nascido não deve tomar banho até que seu umbigo caia, o que quer dizer de 7 a 14 dias.  No inverno, a sugestão é  não lavar a cabeça por um período mais prolongado do que esse, devido a facilidade de resfriamento do bebê. Argh.
Uma amiga minha brasileira, que teve seus dois filhos aqui, me contou que a primeira filha também não tomou banho na maternidade e só o fez quando voltou pra casa  sete dias depois - aqui, a mãe que faz cesárea fica de 7 a 14 dias no hospital, enquanto que no Brasil esse periodo é de 3 dias. Mas o banho quem deu foi a Hebamme - tipo parteira - que veio até a casa dela, encheu uma banheira com água, óleo de oliva e leite e mergulhou o bebê duas vezes seguidas, sem nem sequer lavar propriamente, para desespero da avó brasileira que observava. A bebê ficou com um cheiro de ovo horrível e o cabelo ensebado. Tão logo a Hebamme saiu, a mãe da minha amiga pegou a bebê e deu um banho â moda brasileira.  
O mais engraçado dessa pesquisa é que nenhum grupo tomou banho todos os dias. Eles simplesmente deduziram que essa prática causa danos â pele sensível do bebê. Quando tive a Lara, logo no mesmo dia do parto, a enfermeira do Pró-Matre em São Paulo veio ao quarto pra me ensinar a dar banho. Era junho, os dias já estavam frios e mesmo assim a Lara tomou seu primeiro banho no seu primeiro dia ao mundo e foi assim todos os dias de sua vida até agora, com exceção de uns dois ou três que foi banho de gato, por contingência, e nunca teve nenhum problema de pele.  Numa reunião do Book Club, quando eu disse isso e caí na besteira de demonstrar quão pasma eu estava com essa mania de não se tomar banho, pra minha surpresa e desespero, uma das colegas, que tem 3 meninas das mais variadas idades, disse que não dá banho todos os dias nas filhas, só passa o paninho molhado no rosto, nas partes abaixo do equador e nos pés e  olhe lá. Às vezes, segundo ela, nem isso.
Essa prática, portanto, além de ser embasada por pesquisas, se segue até a maioridade. Muitos marmanjos com cheiro de sovaco, chulé e cabelo sujo se resumem a se lavar com paninhos nas partes mais fedidas, o que não surte o efeito de um bom banho ou ducha e com isso saem exalando aquele CC por onde passam. Com esse hábito, além da suposta proteção da pele, eles protegem o bolso também, já que água e aquecimento são muito caros por estes lados. 
Quando mudamos para o apartamento em que moramos, a proprietária veio nos falar sobre os custos de aquecimento e água que estão embutidos no "Nebenkost" - algo como a taxa de condomínio - e nos alertou que gastos exagerados aumentam demais este  valor no final do ano. Como exemplo, ela deu o inquilino anterior que jogava tenis três vezes por semana E, por causa disso, tomava dois banhos por semana, segundo ela, uma absurdo. Nós ficamos bem quietinhos. Se ela soubesse que a gente toma banho todo dia e se bobear  duas vezes, ela ia ter um chilique.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Monschau é show

Monschau é uma cidadezinha típica alemã localizada no estado em que moramos - Nordrhein Westfalen - a mais ou menos uma hora e meia daqui de casa. Ela fica  em um vale no meio de uma cadeia de montanhas que a gente desce em vez de subir pra chegar até ela (agora me confundi). Se você usa o navegador, a sensação é muito estranha, porque ele mostra que faltam apenas alguns metros, mas você não vê nada, até entrar no primeiro (e acho que único) estacionamento da cidade e descer do carro. Aí então se vê algumas das dezenas de casas "enxaimel" às margens do rio Ruhr, que corta a cidade.
Monschau é cheia de espacinhos e lugarzinhos e vielinhas para serem descobertos e tem uma loja de natal na praça principal com uns quatro andares que fica aberta o ano todo e é uma perdição. Tem também uma loja de mostardas, produto da região, em que você pode provar todos os tipos produzidos. e um local cheio de  esculturas em meio a um jardim super bem cuidado.
Almoçamos em um restaurante de um hotel na beira do rio, em que pedimos um filé de frango com creme de leite e o sabor estava especial e adocicado, pois foi preparado com uma mostarda local à base de compota de figo. Uma delícia. No slideshow abaixo, tem fotos tiradas em fevereiro de 2008, pleno inverno (mas sem neve), e em julho de 2009, pleno verão.  
Mais informações, aqui e aqui

Não somos pescadores de Geldfish

Eu acho que tem gente aí no Brasil  que acha que no rio Reno corre dinheiro e a gente nada nele.  Só porque moramos na Europa, pensam que eu ando de carro importado ( se bem que aqui carro nacional é Mercedes, Audi, BMW), de salto alto, com roupas de grife, pendurada de jóias, com cabelos e unhas feitas toda semana. Pensam que o meu dia é ir às compras, ir à Academia, sair com as amigas (se bem que aqui isso é normal mesmo em dia de semana), passear com a Lara e a babá a tiracolo, enquanto carrego sacolas e mais sacolas de lojas carésimas e por isso, acham que não tem problema nenhum exigir que "colaboremos" com uma quantia aqui outra ali ou que estamos em situação milhares de vezes melhor do que a deles, pobres coitados, ou que a inveja os cegou tanto que nem mesmo contato tem interesse em manter com a gente.
Ao contrário do que se passa na cabeça dessas pessoas, que deixam a inveja falar mais alto e anuviar a realidade, nossa vida não é a mesma levada pelos VIPs europeus e é, na realidade, muito mais simples do que a que levávamos na terrinha. Viemos para cá, meu marido como empregado ( e não diretor, VP ou dono) de empresa multinacional, e eu como dona-de-casa e mãe 24 por 7. A rotina dele é de casa para o trabalho e vice-versa e de ônibus, diga-se de passagem. Temos um VW, que só eu dirijo porque o marido não teve tempo hábil de tirar a carteira alemã de tanto que tem que trabalhar e viajar (agora nem isso) a serviço.
O meu jeito de ganhar dinheiro é não gastá-lo ou ao menos tentar economizá-lo. Limpo a casa, lavo roupa, passo, faço compras sempre procurando as ofertas. NUNCA tive empregada aqui, porque elas cobram 10 euros a hora e quem faz a hora são elas. Prefiro, por isso, limpar a casa eu mesma e economizar ou gastar o dinheiro em algo mais duradouro - até já me passou pela cabeça ir fazer limpeza na casa dos outros, porque nem como professora no Brasil eu ganhava o equivalente a 10 euros por hora. Nunca tive babá, baby-sitter, au pair, nem mesmo pra ficar com a Lara à noite pra jantarmos fora como um casal.  Levo a Lara pra escola, busco, levo de novo para as atividades extras. O chauffeur aqui sou eu.
Minhas compras de roupas e sapatos se resumem as lojas populares e me nego terminantemente a pagar mais do que 20 euros em uma peça de roupa ou sapato, muito menos para a Lara. NUNCA fiz limpeza de pele por essas bandas, meus batons não custam mais do que 3 euros e não compro produtos de beleza de marca, pelo contrário, uso no rosto o que minha filha usa na bun...no corpo. Em quase cinco anos de Alemanha, fui ao cabeleireiro cortar os cabelos uma vez e me arrependi. Corto meus cabelos com o meu cunhado nas poucas vezes que vou ao Brasil. Em todo esse tempo, fiz massagens 2 vezes sendo uma delas em um hotel numa viagem  à Espanha como uma presente do meu querido marido e a outra não por luxo, mas por necessidade; tive minhas unhas pintadas 2 vezes por uma brasileira (10 euros) e uma outra vez porque ganhei de um Nagelstudio (salão de  manicure/pedicure) do bairro uma manicure sem direito a tirar cutículas (costume alemão, que custa no minimo 15 euros) por eu tê-la indicado a algumas amigas minhas mesmo sem nem ter ido lá antes.
Eu sei que é preciso ter um pouco de vaidade e se voltar um pouco pra si de vez em quando, como diz meu próprio marido, mas eu prefiro não ter luxo e - quando dá -  passear  e viajar. Nossa vida aqui não é definitiva e precisamos também nos preparar para qualquer possibilidade ou eventualidade, pois afinal estamos em uma terra estranha aos nossos costumes e leis e, sem dominar o idioma, sempre temos que contar com alguém para nos das suporte, o que não é barato. Além do mais, tenho uma filha pra cuidar e um na barriga e o único "who brings home the wurst" é o meu marido e se algo der errado, estamos fu..ritos. Eu tenho o luxo de dizer que não sou uma desempregada e sim que optei por não trabalhar. O que não quer dizer que sou vaga. Meu trabalho consiste em gerenciar a casa, a filha e a barriga, no momento. Não nadamos em dinheiro e nem pescamos "Geldfish" no Reno  e nem de longe costumamos esbanjar em festanças, roupas de grife e quinquilharias de beleza. Ao contrário, os únicos momentos que consideramos indulgências são ir a restaurantes - às vezes - e viajar. Sem luxo, sem frescuras. Não dá pra negar que temos a sorte de viver num lugar em que outras pessoas vem passar as férias e onde a qualidade de vida por si só já vale muito. Então, para aqueles que destilam suas energias negativas, ou que voltam seus olhos gordos em nossa direção, repensem o seu alvo, reavaliem a realidade e vai ver se eu tô lá onde o rio faz a curva.

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