Sumi. Na verdade, ao contrário de ter sumido, estou me multiplicando. Como disse o Gui, tenho agora dois corações batendo e isso consome muita energia. Não me afoguei na enchente, mas estou me afogando em ansiedade. Passei um mês esperando para fazer o Ultrassom do primeiro trimestre que diz se o bebê tem alguma doença genética. Fiz o exame e está tudo perfeito. O Amanzor perguntou para a médica se já era possível ver o sexo, mas ela disse que a lei alemã proíbe dizer o sexo do bebê antes de terminar o primeiro trimestre. Curiosa, perguntei o porquê. Ela disse que como o aborto é permitido - o que não quer dizer legal - nas primeiras doze semanas, os médicos devem evitar dizer o sexo para que abortos não sejam feitos só porque não é o sexo desejado. Aí, entendi o porque que aqui na Alemanha eles não vendem um kit chamado "Intelligender" que, feito como um teste de farmácia para ver se está grávida, diz se é menino ou menina, mas com uma grande margem de erro. Tem muitas culturas, religiões e raças que acreditam, por exemplo, que mulher é inferior e isto pode fazer com que, ao saber que é menina, optem por interromper a gravidez. Um adendo: na Alemanha, o aborto por motivos sociais, financeiros ou de saúde, ou simplesmente porque foi uma gravidez indesejada pode ser feito até completar o primeiro trimestre, sem punição legal para o médico ou mãe, mas só após a mãe ter passado por aconselhamento e terapia. Depois da décima segunda semana, só se for por motivos médicos, ou seja, risco de morte para a mãe ou para o bebê ou defeitos congênitos.
Depois dessa espera pra saber se estava tudo bem, passei mais duas semanas esperando para passar em consulta com a minha médica para fazer um novo ultrassom pra saber o sexo. Tive que levar a Lara junto e ficamos mais de uma hora esperando para ser atendida. Houve uma emergência com uma das pacientes antes de mim e a doutora ficou um tempão socorrendo a mulher e a sala de espera foi enchendo. Com o calorão que tem feito por aqui, a paciente e acompanhante foram ficando impacientes. Quando foi a minha vez, ela disse que não poderia fazer o ultrassom. Eu disse que faria pelo sistema privado se fosse preciso, mas que queria muito saber o sexo. Ela disse que o problema é que ela precisaria de tempo e de concentração que no momento lhe faltavam. Depois de muita insistência minha, consegui uma nova consulta para terça-feira. Vamos ver se nesse dia tem sexo.
Relatos, crônicas e divagações sobre a vida na cidade de Bonn, Alemanha e, desde julho de 2013, também sobre a vida em Curitiba.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
sábado, 3 de julho de 2010
Inundação na nossa rua
Desde que mudamos para o nosso prédio, que fica à beira do Rio Reno, temos medo que o rio suba e inunde tudo. A última vez que isso aconteceu foi em 1995 e a água chegou no último degrau antes de entrar nos apartamentos do primeiro andar, onde moramos. Toda vez que o inverno acabava, ficavamos pensando se seria naquele ano que o rio iria subir, porque o Reno é um rio que nasce nos Alpes e toda a neve e geleira que degela corre para ele e aumenta o seu nível. O máximo que vimos foi a água chegar na cerca do nosso jardim. Ainda bem.
Mas hoje, uma hora antes de começar o jogo da Alemanha X Argentina, devido a temperaturas acima de 30 graus, o céu desabou. Pela primeira vez, vimos aqui uma chuva tão forte e tão constante. E aí a porcaria estava feita. O nosso prédio, assim como vários na nossa rua e no bairro, ficou com a entrada e todas as garagens debaixo d´água. Tudo que temos na garagem e no nosso depósito está molhado. A nossa vizinha estava desesperada porque o Mercedão dela estava na garagem. Então, o Amanzor, que não tem carta de motorista alemã, foi tirar o carro pra ela antes que a mulher tivesse um troço.
O pessoal do prédio e da rua ficou dividido entre assisitr ao jogo e ver a água subindo. Os bombeiros estão bombeando a água agora. Daqui a pouco ou amanhã vamos dar uma olhada no estrago na nossa garagem e depósito. Nunca passamos por isso em SP e nunca pensei que fosse passar por isso em Bonn.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Em boas mãos - Aus guten händen
O pão é alemão e a artista é israelense. O tempo muda a relação entre os homens, mas pena que em alguns lugares do mundo ainda não descobriram que a arte une e a guerra separa. Não aprenderam nada com a história. As marcas dessa arte em areia, regada à música, só perdura em vídeo e deixa uma sensação boa de paz e tranquilidade. A guerra e o ódio só deixam rastros ruins na mente e na alma.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Homenagem à Holanda
A Holanda tem que perder sexta-feira, mas quem vem pra Europa não pode perder a Holanda. É linda. Em 2007, fizemos uma viagem curtinha por lá. Passamos por Amsterdam, Volendam (uma vila de pescadores, bem turística), Zaanse Schans (uma "plantação de moinhos de vento" onde fica um museu de tamancos com demonstração da fabricação), Nordwijk (no litoral) e Keukenhof, onde em abril tem a famosa exposição de tulipas.
Em Amsterdam, passeamos pelos canais e eu, que gosto de uma desgraça, fui visitar o museu da Anne Frank e o Museu da Tortura. Nesse, só tinha eu. Senti um p... medão. Queria ter ido ao Museu do Sexo, mas aí já era demais. Demos uma passadinha pelo Red Light District, mas com a Lara não seria o tipo de passeio ideal. Demoramos para encontrar um lugar decente pra jantar e por fim fomos parar em um restaurante que fica onde era a primeira fábrica da Heineken - "Die Port Van Cleve". Comida ótima e com um esquema interessante de steaks numerados. Essa é uma tradição que perdura desde 1800 e almôndegas . Hoje ,quem recebe um steak com um centena redonda, recebe um garrafa de vinho de presente, não foi o nosso caso. Na Dam square, havia um parque de diversões e o tio Paulo, dindinho da Lara, se apaixonou por um cavalo de pelúcia pra dar pra Lara. Pra ganhá-lo, era preciso dar doze tiros certeiros de espingarda. Formou um bando de gente atrás dele, torcendo, quando viram que ele não errava. Quando chegou no 11o tiro, as balas acabaram e o dono da barraca disse que ele tinha perdido, e o povo começou a gritar dizendo que ele não tinha errado nenhum tiro e que só tinham 11 balas. O cara teve que ceder, senão iria apanhar. Tem malandro em tudo quanto é lugar. E o Paulo voltou pro hotel, lindo e faceiro com o cavalo debaixo do braço.
Em Volendam, só passeamos pela marina rodeada de casinhas típicas na orla, que é o que tem pra ver.
Em Zaanse Schans, passamos fome, porque só tem um restaurante e, pelo horário, não tinha mais comida - duas da tarde. Lá tem vários moinhos, uma fábrica de queijo e uma fábrica/museu de tamanco.
Em Nordwijk, quase não conseguimos um lugar pra comer também. Não gostei da comida da Holanda e parece que os restaurantes fecham pra almoço. Fizemos a besteira de não tomar café da manhã no hotel, achando que seria fácil encontrar um tipo de padaria na rua. Ledo engano. De novo passamos fome e nosso café da manhã/almoço teve que ser um pão com tender e suco de laranja de uma barraquinha na entrada do parque da exposição de tulipas em Keukenhof, que por sinal é lindo. A Lara parou pra cheirar quase todas as flores do parque. Fomos almoçar só as quatro da tarde quando retornamos pra casa e paramos em Düsseldorf.
Quanto ao jogo de sexta, espero que o time da Holanda entre em campo de tamancos, daqueles bem grandões.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Com o rei na barriga
Eu sei que o blog tem como ponto principal falar de Bonn e da nossa experiência por estes lados. Eu sei que os poucos que o leem tem talvez interesse unicamente nesses tópicos. Mas eu sei também - e foi pra isso que o fiz - que ele funciona como um desopilador de fígado para sua propriotária e como um forma de compartilhar com amigos e familiares o nosso dia a dia.
Como a minha gravidez é no momento tudo que tenho vivido em Bonn - pois tenho evitado viajar e desejado que o mundo acabe em barranco pra eu morrer encostada - e é também tudo de bom porque foi desejada e alcançada, não estranhe o fato do tema dos próximos posts ser basicamente sobre isso. Meu corpo e meu cérebro estão com suas tropas e trompas todas voltadas para o ser que está sendo gerado e não consigo ter olhos para o que se passa além dos limites da minha rotina de ser mãe e grávida. Nem o coitado do Amanzor está tendo vez, aliás, tem sido pai da Lara e meu também. Então, me perdoem os que visitam o blog com intenção de saber o que tem rolado nas redondezas. Estou fechada para balanço e no momento só olhando para o próprio umbigo e me sentindo com o rei na barriga.
Como a minha gravidez é no momento tudo que tenho vivido em Bonn - pois tenho evitado viajar e desejado que o mundo acabe em barranco pra eu morrer encostada - e é também tudo de bom porque foi desejada e alcançada, não estranhe o fato do tema dos próximos posts ser basicamente sobre isso. Meu corpo e meu cérebro estão com suas tropas e trompas todas voltadas para o ser que está sendo gerado e não consigo ter olhos para o que se passa além dos limites da minha rotina de ser mãe e grávida. Nem o coitado do Amanzor está tendo vez, aliás, tem sido pai da Lara e meu também. Então, me perdoem os que visitam o blog com intenção de saber o que tem rolado nas redondezas. Estou fechada para balanço e no momento só olhando para o próprio umbigo e me sentindo com o rei na barriga.
Assinar:
Postagens (Atom)