sábado, 3 de janeiro de 2015

Terapia online

Nos últimos anos em que morava na Alemanha, precisei de uma ajudazinha pra conseguir tocar a vida em meio a um sentimento de solidão e sobrecarga de trabalho doméstico. É estranho, até pra mim, dizer que me sentia sobrecarregada SÓ cuidando de filho e da casa. Era isso que eu fazia, não tinha nenhuma responsabilidade fora de casa, além dos compromissos com médicos, escola da filha, compras. Mas, morando na Alemanha, país que valoriza a mulher-mãe-dona-de-casa, descobri que isso era puro preconceito meu, até machismo, achar que mulher que somente trabalha em casa é inferior àquela que, além de ter filhos, tem uma vida profissional. Eu não tinha autorização legal para trabalhar e, se tivesse, precisaria terceirizar a criação da minha filha, já que não tinha nenhum familiar com quem contar para cuidar da criança em meu período de trabalho. Na verdade, nem se pudesse, teria intenção de trabalhar e deixar minha filha com menos de três anos aos cuidados de pessoas que não conhecia. Eu não precisava ter uma vida profissional, ganhar dinheiro, me sentir realizada, pois já me sentia com excesso de responsabilidades cuidando da família em um país estrangeiro.  Esse sentimento de "subprodução" era algo que trazia comigo do Brasil, onde mulher que fica em casa cuidando dos filhos ou é desempregada, ou vive às custas do marido, ou é incompetente, ou é chamada de vagabunda.
Mesmo tendo algumas amigas pra conversar, nenhuma alemã, diga-se de passagem, me sentia só. Ninguém da minha família me ligava. Só falava com eles, se eu ligasse, mesmo tendo pedido que, caso quisessem falar comigo, bastava dar um toque que eu retornaria, já que tinha um plano interessante da Deutsch Telekom com o qual podia ligar ad eternum pro Brasil pagando somente 15 euros por mês.
Mas faltava um alicerce, um suporte profissional, alguém que me ajudasse a encontrar embaixo de uma camada fina de lodo e grama, as pedras certas pra seguir em frente, sem um envolvimento emocional comigo.
Eu não me sentia confortável fazendo terapia em inglês, muito menos em alemão. É difícil se abrir e, no alto da nudez emocional, ainda  ter que procurar as palavras certas pra expressar um sentimento. Não é natural e o melhor pra isso é a língua-mãe, por isso que se chama assim. Então, comecei a procurar uma saída.
Eu nem me lembro como cheguei até a minha tábua salvadora. Talvez por indicação, talvez pesquisando na internet. Só sei que a encontrei. O nome dela é Carine Campos, psicóloga que atendia e atende virtualmente. Como eu estava do outro lado do oceano, decidimos conversar por messenger e skype, o que funcionasse. Por não precisar me deslocar e ela também não, podendo me atender de qualquer lugar, o custo da consulta era muito mais baixo. Além de ser em reais.
Marquei a primeira consulta. Eu de pijama, no conforto do meu larrrr. Quando entrou a imagem dela, achei que era uma pegadinha. A mulher é a própria Sandra Bullock (ou eu estava precisando de tratamento mesmo). Simpatissíssima, competentíssima. Adorei o método que utiliza, o cognitivo-comportamental, com bastante exercícios práticos e de auto-conscientização pra refletir sobre si mesmo e o que está a sua volta, seus sentimentos e ações em relação a si e aos outros e, o melhor de tudo, exercícios pra te tirar de crises psicológicas com somatizações.
Eu estava grávida do Ricardo e, se não fosse ela, eu não sei como sairia de uma crise de ansiedade por medo do parto no oitavo mês de gravidez. O Amanzor também a agradece.
Ela me pediu que eu escrevesse um depoimento no site dela dando a minha opinião sobre o tratamento, mas achei que outros brasileiros que moram na Alemanha ou em qualquer outro lugar do mundo, inclusive no Brasil, têm que saber que existe uma possibilidade de ajuda à distância que realmente funciona, por isso decidi escrever aqui no blog e colar o link lá no site dela.
Desde que cheguei ao Brasil, não tive tempo (se é que vocês me entendem) pra voltar à terapia, mas se e quando voltar, certamente será com ela.  E mesmo não estando mais em terapia, mantemos contato esporadicamente, por e-mail, pois, apesar de eu não saber muito sobre ela, ela me conhece de frente e verso.
Ela é uma pessoa querida que tem seu lugar em minha vida, mesmo não estando presente uma hora por semana na minha agenda de dona-de-casa sem tempo de olhar no espelho e pentear o cabelo.

Quem precisar de alguma ajuda psicológica, eu recomendo os serviços da Carine e sua equipe.
Podem entrar em contato com ela através dos seus sites:
http://e-interagir.com/
http://www.conectapsicologia.com.br/

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Passeio de Domingo - Lapa


Nosso passeio no último domingo do ano foi à Lapa, onde o pai do Amanzor serviu o exército. Apesar de terem dito que não tem nada pra se ver lá, fomos abertos a ver o que tivesse. Ficamos surpresos de encontrar uma cidade do interior, super sossegada e cheia de coisinhas e casinhas bonitas pra ver. E, assim como na Alemanha, com comércio fechado no domingo. 
Chegamos na hora do almoço, então fomos procurar onde almoçar. Alguns restaurantes fechados. Mas, no centro histórico, havia o restaurante "O casarão", que serve comida lapeana, com feijão tropeiro, arroz com lentilhas, carnes e um onion ring delicioso.  



Do outro lado da rua, essa casinha fofa.
 A história da cidade gira em torno do Cerco da Lapa e dos tropeiros. Sou um zero à esquerda (entenderam o trocadilho?) pra gravar acontecimentos históricos, então é melhor dar uma googlada.
 Logo mais pra cima na rua, o Museu de Armas, uma antiga penitenciária e que hoje é museu e câmara municipal (pensem o que quiserem).







No centrinho, mais para baixo na mesma rua, eu dando uma bizoiada nas notícias do dia.


Casa dos 10 cavalos
 






Olhando em direção à Casa Lacerda, a melhor atração da cidade, na minha opinião

No parquinho com o super homem. Por sinal, parquinho mais conservado do que os de Curitiba, ao menos, utilizável.

Essa rua se chamava Westfalen

No jardim do Pantheon  dos "Heroes" com "e" mesmo

Casa Lacerda, doada ao IPHAN pela família, onde foi assinada a Capitulação da Lapa e que serviu de quartel  para os legalistas. Super bem conservada, é uma viagem à vida da classe média no fim do século XIX e início do séc.XX

Sala de visitas e velórios. Os móveis são autênticos 
A casa pertencia ao coronel que substituiu o General Carneiro após sua morte durante a revolução e era chamada de Casa Grande.

Alcova nupcial e onde nasceram alguns bebês da família

Quarto da Vó

Quarto das Meninas

Adorei as fotos de moda da época nas portas do guarda-roupas

Quarto dos Meninos

Adorei a cor do guarda-roupas, super moderna.

Quarto do casal, que teve uma penca de filhos

Banheiro principal. Chão mará.



Meu sogro fez uma cadeira parecidíssima com essa.

Varanda da casa onde a vida acontecia


Vista do quintal

Cantinho de costura da vó



Sala de café da manhã



Cozinha





"O amor vence tudo" lindo o bordado na parede


Despensa











Igreja central






Teatro São João




Dom Pedro II sentou nesse camarote



Boneco Simão
Senti falta de uma confeitaria no centrinho, mas fomos a uma padaria excelente na rua nova e principal da cidade. Lá, conversei com um morador super jovem com uma bebê no braço, que disse que morou em Curitiba, mas voltou pra cidade em que nasceu, pois é muito mais tranquila. Ao mesmo tempo, disse que quem é de lá nem mesmo visita os pontos turísticos e não os valoriza. Eu achei tudo muito bem conservado, apesar de algumas pichações aqui e ali. Todos os pontos turísticos têm entrada gratuita, exceto a Casa Lacerda, que custa 2 reais e onde tem que se usar pantufas, pois o chão é maravilhosamente encerado e bem preservado..
.
A cidade tem outras atrações que devido ao cansaço não foram visitadas. Mas um dia serão, pois voltarei. 

LinkWithin

Blog Widget by LinkWithin