domingo, 14 de fevereiro de 2010

Domingo beeeem diferente

Tive que criar vergonha e começar a fazer ginástica. Mas não ginástica ginástica. Comecei a fazer Krankengymnastik, que é ginástica com fins terapêuticos, no meu caso, feita em aparelhos parecidos com os de musculação mas especialmente desenhados para recuperação muscular e estrutural. Depois de ter parado por um ano e meio, retornei à rotina e espero - aliás, estou proibida de dar uma pausa, quanto mais uma tão grande como esta - ter forças e disciplina para continuar.
A minha primeira sessão foi na sexta-feira, e como a fisioterapeuta achou que a rotina de exercícios era muita para uma primeira sessão (graças aos santos), me remarcou para HOJE, DOMINGO DE CARNAVAL, DIA DE SÃO VALENTIM ( dia dos namorados), NO HORÁRIO DO ALMOÇO, COM NEVE DE 15 CENTÍMETROS NA RUA E UM FRIO DE MENOS TRÊS!!! Acho que ela queria ver se eu seria capaz de vencer uma batalha interna contra a minha preguiça dominical. Apesar de estar com gripe e naqueles dias, consegui ir e me orgulho disso. Saindo de lá, fui me encontrar com marido, filha e amigos para almoçar e depois assistir ao desfile de carnaval da cidade e pegar Kamelle.
Quando meus pés e mãos começaram a congelar, me dei por vencida e pedi pra ir pra casa. Fora a boa companhia,ninguém merece uma tortura dessa num domingo. Mas pensando bem, é bom que aqui  é frio, pois a tortura seria muito maior se tivesse um montão de gente pelada, melada e fedida de suor.
 
Queridos amigos, Andreas e Fátima
Gatiiiinha!



Achei linda esta decoração de uma vitrine
Um manequim embrulhado em papel de seda

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Reencontro virtual

Essas redes de relacionamento online são tudo de bom. Encontrei no Facebook um colega que dava aulas comigo na Wizard Santa Cruz há uns 10 anos, o Rodrigo Cerqueira. Ele era baterista da Banda Skuba, que fez sucesso na época com uma música chamada "Drugs"- no vídeo, ele é o de óculos no banco de trás - e cujo vocalista, por acaso, é um primo não tão distante do meu marido. Há três anos, ele tem a banda Firebug Brazil, de estilo jamaicano das décadas de 60 e 70, com muito reggae e ska. Pra quem gosta do estilo, como eu, a banda é é ótima. Sucesso, Rodrigo!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

U2 na Zoropa

Foi divulgada a lista de cidades onde o U2 se apresentará no segundo semestre de 2010. Em alguns países, os ingressos já estão esgotados. Na Alemanha, os shows serão em Frankfurt, no dia 10 de agosto, em Hannover, em 12 de agosto, e em Munique, no dia 15 de setembro. Se ainda estivermos aqui e tiver ingresso e encontrarmos uma Achtung Baby-Sitter, iremos ao show de Frankfurt, que fica uns 200km daqui.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Alaaf! Tempo de Karneval

As cidades de Colônia, Dusseldorf e Bonn são a Bahia da Alemanha. Nesta época do ano, tem festa de carnaval em tudo quanto é salão, escola, escritório, kindergarten e ruas de bairros e centros das cidades. Ontem foi a festa da escolinha da Lara. Até que pra quem não gosta de carnaval, como eu, foi bom ver como as crianças se divertiram. Hoje, amanhã e terça-feira tem mais comemoração de carnaval na escolinha. É uma maratona digna de Farol da Barra. E o quente não é na terça, que aliás nem é feriado, e sim, todos os dias de hoje até segunda,  a Rosenmontag. O carnaval, que começou no dia 11 de novembro às 11 horas e 11 minutos, termina oficialmente na Quarta-feira de Cinzas, Aschermittwoch.

Hoje, quinta-feira antes do Carnaval, Weiberfastnacht,  é o dia em que as mulheres tomam as rédeas da cidade, invadem a prefeitura e saem cortando as gravatas e pendurando os pedaços em suas fantasias para  ao menos um dia do ano, simbolicamente, acabar com o poderio masculino (se bem que sabemos quem realmente manda).
Na TV, desde novembro,  é normal passar programas direto dos salões onde acontecem os Karnevalsitzung . Os espectadores fantasiados ficam sentados, comendo e bebendo e  assistindo as apresentações de dança, dos  Tanzcorps, de bandas, ao som das quais eles só batem palma e se sacodem de um lado para o outro e de Kabaret, que nada mais é do que um show de stand-up comedy.
Os desfiles de rua, que acontecem desde o final de semana passado, tem seu auge no próximo domingo e na  Rosenmontag. E a grande atração das paradas é o Kamelle, que quer dizer "doces". Os carros alegóricos e os desfilantes de chão passam jogando doces e um monte de quinquilharia - banana, esponja, cenoura, ovo cozido -  para quem está assistindo, mas estes tem que ficar gritando: - "Kamelle, Kamelle!", senão não ganham. Maior pagação de mico para os adultos mas diversão pura para as crianças que vão de sacola assistir os desfiles (faz lembrar os pobres esfomeados, mendigando comida para o cortejo do rei).
Para saber um pouco mais da história do carnaval por estas bandas e porque os membros dos clubes de carnaval e os corpos de dança dançam, agem e  se vestem como militares, clique aqui.
É estranho escrever sobre uma festividade que eu nunca curti mesmo no Brasil e que só tinha graça porque era feriado. Eu adorava ficar em São Paulo e ver a cidade vazia, perfeita, como deveria ser. Mas aqui acho que é diferente por ser tudo muito tradicional e sempre dentro dos conformes. Sou avessa a fugir da rotina.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Tomar partido

Tenho acompanhado o sufoco que  está São Paulo debaixo d'água e me assusta pensar que a culpa é única e exclusivamente da natureza ou dos pobres que jogam lixo nas ruas e moram em zonas de mananciais. Espero que ninguém se ofenda pela minha decisão de, apesar de distante, mostrar minha preferência política. A liberdade de expressão e de opinião devem sempre ser vistas como direito e devemos fazer bom uso dele. O meu blog nunca censurará nenhum comentário somente porque ele vai de encontro a minha opinião, pois acredito que "It takes all sorts to make a world" e se fóssemos todos da mesma opinião, o mundo seria muito sem graça. Afinal, o que seria do amarelo, se todos gostassem do vermelho?




Mágoas de março

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um monte de toco, é o povo sozinho 
É garrafa de vidro, é o lixo, é o lençol
É a boca de lobo, é o buraco, é a UOL

É estória de grampo, é mel na mamadeira
Pau de arara, cadeia, ditabranda na beira
É a cara do tempo, tombo da ribanceira
É rio nada profundo,  transbordando na feira

É a fruta rolando até o fim da ladeira

É a viga, é o carrão batendo na marginal
É a chuva chovendo, isso não é normal
A culpa é do Pedro,  nada celestial

É o pé, é o rio? Não,  é uma cachoeira
É do porco do povo,  a culpa pela sujeira
É o que diz o Kamel, e sua laia PIGueira

É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é sentir-se sozinho
É serra, é suplicio, um suspiro, alquimia,
Paulista num kassab o final do seu dia

É o Tietê, é o Pinheiros, são seus afluentes
Subindo, entrando na casa da gente
É o pé no telhado, a geladeira na estante
É a enchente chegando, já é o bastante

É o projeto da casa, é o corpo na  cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É o PIG na mídia, são os porcos na rua
Na barriga clamídia, na minha e na tua

São as águas da chuva, fechando a cidade
É a promessa de não ter mais calamidade
É uma Marta, é um Ciro, é um Geraldo, um José,
É mais uma eleição, é só mais uma maré

Mas o voto é um pau, uma flecha certeira
Pra acabar com toda essa grande besteira
Mire na fronte, provoque a cegueira
De quem já não vê nada, queira ou não queira

Não deixe a Globo, a Folha,o Estadão
Fazer sua cabeça, mandar na população
Mostre para aquele que escreve, aquele que filma
Na próxíma eleição, é a Dilma, é a Dilma.

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