sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Bonn Book Club parte 2











Respondendo à pergunta da Angie.
Bonn é uma cidade multicult, com muitos estrangeiros que não tem parentes próximos e o apoio mútuo de não-familiares é muito importante. Por isso, existem muitos grupos, associações e clubes que oferecem serviços, atividades e cursos de integração e aprimoramento e muitos são simplesmente iniciados por pessoas de boa vontade.
Este é o caso do Book Club. Ele foi inaugurado em março de 2007, a partir de um playgroup para crianças até 3 anos, do qual a Lara participava. Todas as quintas-feiras, nos reuníamos, crianças e mães ( ou pais), para que os rebentos pudessem brincar e cantar e os adultos conversar. Algo que no Brasil é mais difícil acontecer, pois, normalmente, as crianças que ainda não vão à escola tendem a ficar em casa com a mãe, com a vó ou com a babá e não têm chance de interagir com regularidade com outras crianças - muitas vezes, só com primos ou vizinhos. E o playgroup, para mães que não trabalham fora, é uma grande oportunidade para trocar informações, conversar e deixar as crianças brincarem e se pegarem - porque dava cada briga, também!
O local do playgroup era uma casa gentilmente disponibilizada pela Independent Bonn International School (IBIS). Com isso, eles já plantavam a sementinha para futuros alunos e nós tínhamos um lugar para onde levar as crianças (coisa rara no inverno) e fazer ótimas amizades. Contribuíamos com um euro por encontro, para bebidas e snacks e o que sobrava, no final do semestre, era usado para comprar material para as crianças produzirem alguma coisa artesanal.
Quando comecei a fazer parte deste grupo, ele era organizado por uma das mães, a Rachel Mark, que já voltou para os EUA ( e cujo marido era agente da CIA). Foi ela que também resolveu montar o clube do livro para que pudéssemos, além de conversar a respeito de livros, sair um pouco do ambiente doméstico, deixando os filhotes por conta dos outros 50% ou com uma baby sitter, pelo menos uma vez por mês.
O clube tem um moderador - que agora é a Ann Sullivan - que só organiza os encontros e os livros a serem lidos, a reunião não tem moderação e é só pra conversar e espairecer. Os membros sugerem livros para os próximos encontros, sem obrigatoriedade de serem lidos. Nos comunicamos por e-mail e à mesa sempre surgem assuntos interessantíssimos. Ontem, foi a respeito de uma reportagem da CNN sobre cirurgia plástica no Brasil, trabalho, gravidez e parto nos vários países, bebidas e comidas diferentes e os lugares para onde fomos em férias: Estocolmo, Paris, Islândia.
No final do ano, fazemos um encontro mais requintado, com jantar de natal e troca de livros, que são embalados para presentes e colocados dentro de um saco - cada uma pega um e pronto. Há dois anos, fiz de brincadeira uns marcadores de livros para presenteá-las neste encontro de Natal e, desde então, virou tradição (se é que dois anos consecutivos dá pra dizer que já é tradição). Nas fotos acima, os que fiz para o ano passado.
Criar um book club ou um playgroup é uma ótima idéia e grande chance para as crianças se socializarem e até aprenderem a falar e para os pais fazerem amizades, bater papo, trocar idéias e comer bem. Se você não tiver nenhum por perto, vale a pena dar o primeiro passo.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Bonn Book Club

Acabei de voltar do encontro do Book Club do qual faço parte. Nós nos reunimos mensalmente em bares ou restaurantes escolhidos em rodízio por um dos membros. Desta vez foi no restaurante Scenario em Bad Godesberg. O grupo é formado por várias americanas, duas alemãs, uma escocesa, uma inglesa, uma islandesa, uma australiana e eu. É aberto a quem quiser participar, desde que se inscreva no grupo e more nas redondezas ( ou queira se deslocar de onde for).
Como somos de vários lugares do mundo, sabemos que, um dia, um ou outro vai voltar para seu país ou ir para um outro lugar por este mundão afora. Desta vez é a Sunna, a islandesa, que em novembro volta pra sua terra gelada mas cheia de água quente natural. Ela é super gente fina, bonita por fora e por dentro; a outra que também está voltando, só que pra Michigan, é a Ellyn. Boa sorte pra elas.
Como em toda rodinha de mulher, o assunto nunca é um assunto só, muito menos só o assunto que deu origem ao encontro. Não nos limitamos a falar somente sobre o livro. Aliás, faz tempo que eu não os leio, mas continuo indo aos encontros, pois é uma ótima oportunidade de praticar o inglês. Como digo: -"Estou perdendo o inglês e não estou ganhando nenhum alemão." E meu marido me responde: - "Ao menos você ainda tem o português e o brasileiro que vos fala. Seu amo e senhor." (ui)
Abaixo a lista bem eclética de livros lidos e propostos até outubro, pra quem quiser e gosta de ler.
March 2007 - The Reader by Bernard Schlink
April 2007 - The Ivy Chronicles by Karen Quinn
June 2007 – The Virgin’s Lover by Phillipa Gregory
August 2007 - The Kite Runner by Khaled Hussein
September 2007 -The Bookseller of Kabul by Asne Seierstad
October 2007 -The Friday Night Knitting Club by Kate Jacobs.
November 2007 - Digging to America by Anne Tyler
December 2007 - Ladies #1 Detective Agency by Alexander McCall Smith
January 2008 - Wild Swans 3 Daughters of China by Jung Chang
February 2008 - A short history of tractors in Ukrainian by Maria Lewycka
March 2008 - Tears of the Giraffe by Alexander McCall Smith
May 2008 - Beyond the Sky and Earth, A Journey into Bhutan by Jamie Zeppa.
June 2008 - Escape by Carolyn Jessop
July 2008 - The Other Boleyn Girl by Philippa Gregory
August 2008 - I Don't Know How She Does It by Allison Pearson
September 2008 - Water for Elephants by Sara Gruen.
October 2008 - Eat,Pray ,Love by Elizabeth Gilbert
November 2008 - The secret life of bees by Sue Monk Kidd
December 2008 - Holy Cow by Sarah MacDonald
January 2009 - The Lollipop Shoes by Joanne Harris
February 2009 - The Pillars of the Earth by Ken Follett
March 2009 - Q and A by Vikas Swarup
April 2009 - Ines of my Soul by Isabel Allende
May 2009 - Shadow of the Wind by Carlos Ruiz Zafon and Lucia Graves
June 2009 - Arctic Chill by Arnaldur Indridason
July 2009 - Thanks for the Memories by Cecilia Ahern
August 2009 - The Island by Victoria Hislop
September 2009 - The Eight by Katherine Neville
October 2009 - Emma by Jane Austen


Debbie, England; Ann, Scotland; Sunna, Iceland; Ellyn, USA; Beatriz, USA; Dany, Germany; Nancy, USA; e eu.


quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Amizade via blog

Hoje fui à casa da Juliana, que é de Curitiba - cidade do Amanzor - e mora em Beuel, do outro lado do rio. Ela me contatou através do blog, conversamos por telefone e ela me convidou para ir a sua casa. Foi ótimo!!! Ela tem duas crianças lindas, o Gustavo, que tem a idade da Lara, e a Luana, de 18 meses (tô certa, Juliana?). Comi um bolo delicioso de chocolate e as crianças se divertiram com pistola d'água e sorvete.





Esta tarde agradável foi graças ao blog. Bons frutos, boas amizades. Obrigada, Juliana. A próxima é aqui em casa. Pena que não tirei foto sua.
Ah! De quebra ganhei duas agendas produzidas pela irmã e cunhado dela ( ou será irmão e cunhada?). Super criativas e cheias de informações, poesias e citações, feitas em Curitiba e ainda com Projeto Social! Vale a pena ir ao site deles dar uma olhada http://www.agendarte.com.br/.

sábado, 22 de agosto de 2009

Estórias para Crianças Cabeludas

Recebi um e-mail (aliás, vários) sobre um livro alemão de educação sexual para crianças. Em um desses e-mails, o remetente me perguntava se era verdade. Eu pesquisei na internet e encontrei o livro à venda na Amazon.de. Eu pessoalmente nunca topei com este livro nas livrarias. O livro é originariamente dinamarquês e se chama Sadan far man et Barn. Em alemão, chama-se "Wie Vater und Mutter ein kind bekommen" ( Como papai e mamãe ganham um filho/bebê) .
Ele é recomendado para crianças de 4 a 7 anos e é bem explícito para os padrões brasileiros. Apesar de eu achar isso um paradoxo para um país tão famoso por suas mulheres peladas no carnaval e em suas praias e concursos infantis de Créu, Boquinha da Garrafa, Eguinha Pocotó etc. - liberal na prática e tão conservador na teoria.



E então me lembrei da primeira vez que topei com um livro desses, que vai direto ao ponto. Foi na casa da minha amiga portuguesa casada com um alemão muito simpático.Eles tem uma filhinha da idade da Lara e sobre a mesa da sala havia um livro chamado Struwwelpeter. Comecei a folheá-lo e achei estranhas as gravuras bem "esclarecedoras". Os poemas eu não consegui entender, porque, além de estarem em alemão, era alemão do século 19. E então o meu amigo me explicou que era um livro que ele ganhou quando era criança e que agora era da filha deles. É uma coletânea de estórias escritas por Heinrich Hoffmann (1809-1894) em 1844 e a moral das estórias é que sempre alguma coisa de ruim vai acontecer com você se você fizer traquinagens, não se comportar e não respeitar os mais velhos. E tudo isso de forma bem gráfica.


Abaixo algumas estórias do Struwwelpeter e uma outra, tão famosa que até tem guardanapo com as estórias. Existem dezenas de outras estórias infantis alemãs do século 19 ainda mais cabeludas para os padrões atuais, como por exemplo, a antisemita Die Judenbuche - The Jews' Beech Tree (A Árvore de Faia dos Judeus - não consegui traduzir isso). Elas podem ser encontradas nos links.
Este é o Struwwelpeter, que não deixa pentear os cabelos, nem cortar as unhas. Olha a cara de alegre.


Aqui, algumas ilustrações da estória Die gar traurige Geschichte mit dem Feuerzeug traduzida para o inglês como "The Dreadful Story of Pauline and the Matches" (A assustadora estória de Pauline e os Fósforos). Uma menina que fica sozinha em casa e, apesar de saber que não pode brincar com fósforos, brinca e acaba virando só o pó.






Esses gatinhos chorando com o lenço são demais!
Abaixo a estória do Chupa Dedo, "Die Geschichte vom Daumenlutscher" (The Story of Little Suck-a-Thumb). A mãe vai dar uma saidinha e diz para o filho não chupar o dedo. Ele chupa e aí aparece o cortador de dedos e corta os polegares dele. uiuiui










Estes aqui são Max und Moritz, estória em 7 travessuras escrita por Wilhelm Busch (1832-1908) em 1865. Dois pestes que só fazem arte e acabam levando o que merecem no final. Já virou até filme.




Sobre o título do post:

Minha mãe costuma usar uns trocadilhos interessantes tais como: pentes para homem de osso,meias para mulheres de seda, pernas para homem de pau, bicicletas para crianças de aço, jaquetas para homens de couro, calcinhas para mulheres de lycra e por aí vai. E eu morria de rir quando era criança. Melhor do que chorar com essas estórias alemãs. Mas pensando bem, a gente também tem umas estórias e cantigas infantis politicamente incorretas como "Atirei o pau no gato" e " Nana Nenê" - esta hoje daria abandono de incapaz.


Novidades sobre o Jardinzinho

A minha colega da blogosfera, brasileira, moradora de Bonn e jornalista da Deutsche Welle, Bettina Riffel, publicou em seu blog uma reportagem sobre os Schrebergarten. Dou o link aqui para acrescentar informações ao meu post sobre o assunto.

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