sexta-feira, 30 de abril de 2010

Brasileira tenta melhorar alemão

Depois de 4 anos morando no mesmo bairro, descobri que tem uma escola chamada "Academia Espanhola"  que também oferece aulas de alemão em um curso de integração para estrangeiros. Fui lá me informar e marquei um teste e uma entrevista com a professora para o dia 20 de abril. Apareci, mas ela não, pois estava voltando das férias numa viagem de 40 horas de ônibus devido ao vulcão islandês. Remarcaram o compromisso para terça-feira passada. Cheguei quatro minutos atrasada e pedindo desculpas mil pelo atraso. A professora chegou uns 8 minutos depois e não se desculpou, só perguntou se eu estava esperando  fazia muito tempo. 
No início da entrevista, ela me disse que eu teria duas opções de curso no período da manhã:  um para iniciantes e outro para o nível que eu já terminei. Além disso, pelo fato de não ter uma espécie de encaminhamento/autorização - Berechtigungsschein  - que me daria o direito de fazer o curso de graça, teria que pagar 200 euros por um módulo de 100 horas ( uma pechincha) e 30 euros pelo teste que faria ali na hora, o que não me agradou, já que não tinha o meu nível.
Conversa vai, conversa vem, falei sobre o porquê de querer fazer um curso intensivo a essa altura do campeonato. Disse que seria uma frustração muito grande retornar ao Brasil depois de 4 anos e meio sem conseguir ter uma conversa completa em alemão e porque teria muito interesse em enveredar pelos caminhos da minha amiga Rita, que é tradutora alemão-português ( não é inveja minha não, foi sugestão da própria). 
Qual não foi minha surpresa, quando a professora disse, "acho melhor você não fazer o teste. Seu alemão é muito bom pelo tempo em que você está aqui e o nosso curso de integração não é o ideal para você." E eu disse "muito obrigada." "Não, não estou te elogiando. É a verdade. Este curso é direcionado para estrangeiros que moram há anos na Alemanha, não trabalham porque não falam a língua direito, vivem do sistema social e nunca tiveram interesse em se integrar à sociedade alemã.. Alguns são fluentes, mas cometem muitos erros e  não são capazes de escrever nem o nome corretamente em alfabeto romano (supus ,então , que ela falava dos árabes). Eles vem para o curso porque são obrigados. Se eles não apresentarem um documento mostrando que estão interessados em aprender a língua e, desta forma, se tornarem aptos a se candidatar a um emprego, eles perdem a ajuda social.  Então, esse curso não vai satisfazer a sua necessidade, pois voce realmente tem interesse em aprender. E muitos vem às aulas só para marcar presença, alguns se comportam, outros são uma porta ( minha interpretação do que ela disse) e outros atrapalham a aula."
Eu perguntei se ela dava aulas particulares, mas ela não tem tempo disponivel. Ligou para uma amiga, que não respondeu na hora se estaria interessada em me dar aulas e que não autorizou que ela me desse o número do celular. Então, dei o meu número de telefone e estou até agora esperando a mulher entrar em contato.
Conclusão: Eu entendi tudo o que a professora disse; meu alemão não é tão péssimo como eu pensava; a professora foi sincera sem ser rude; a outra foi rude e nada direta; brasileiro pode não ser pontual, mas, às vezes, é mais pontual do que alemão; aluno que enche o saco e gente que gosta de mamar nas tetas do governo tem em qualquer lugar; e voltei à estaca zero na minha procura por um curso intensivo de alemão.  Tô tentando melhorar, mas tá difícil.   

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Passeio de Domingo - Bacharach

Bacharach - leia-se BAHAHAH - é uma cidadezinha na beira do Reno, no estado vizinho de Rheinland Pfalz - Renânia Palatina. Para chegar até lá, leva uma hora e meia aqui de casa e a viagem é linda, pois pode ser feita pela B9, que vai a maior parte do tempo beirando o Reno. Tem vários castelos no caminho, tais como: Rheinfels, Stolzenfels,  Burg Katz (atualmente, propriedade de japoneses) e Marksburg, castelo que nunca foi destruido e mantem suas caracteristicas originais. Passamos também pela "Loreley", um penhasco à beira do rio num trecho que se estreita e se curva consideravelmente, exigindo muita atenção dos barqueiros. Diz a lenda que ali ficava a ninfa/virgem/sereia "Loreley", que cantava e encantava os barqueiros, fazendo com eles não conseguissem fazer a curva, o que os levava a seu último destino. 

A cidade

Como a maioria das cidadezinhas ao longo do  Reno, Bacharach é bem típica alemã com muitas casas Enchamel e, lógico,  um castelo láaaaa no alto do morro, imponente, como se ainda a olhar pelos seus súditos: as casinhas com telhados de ardósia. Na minha santa ignorância, até vir para a Alemanha, achava que o telhado era borracha, tal a impressão de flexibilidade que tem. Só depois que o meu digníssimo marido, em sua santa paciência, disse que era pedra é que parei pra pensar que, quando essas casas foram construídas, 600, 700 anos atrás, o Brasil nem tinha sido descoberto, quanto mais o Amazonas, seringais,  exploração e vulcanização da borracha, Chico Mendes ...
Chegamos bem na hora do almoço mas resolvemos dar uma voltinha por uma viela para sacar dinheiro num dos dois bancos da cidade. Levamos três minutos até retornar à rua principal, onde fica o comércio que não abre aos domingos, como em quase todas as cidades alemãs. Até o centro de informação turística estava fechado. Ainda bem que os restaurantes, sorveterias e lojas de souvenirs não.

Altes Haus

Resolvemos almoçar no ponto turístico mais importante da cidade, a "Altes Haus" - casa antiga/velha - que teve sua construção terminada em meados de 1300. A comida não era lá grande coisa, mas ter a oportunidade de entrar num local por onde tanta história já se passou, me arrepiou. De novo, na minha santa ignorância, vendo como a casa é torta, perguntei ao meu amo e senhor se naquele tempo eles não tinham idéia de prumo. E mais uma vez, recebi o esclarecimento que a base da construção é madeira, que é uma matéria prima viva que se expande e se retrai, ainda mais numa variação de temperatura como a daqui, e que por isso pode entortar ainda mais a coisa ( só faltou ele completar com: -sua porta! Tem alguém aí pra me dizer se a explicação confere?).

Stahleck e Capela Werner

Depois do almoço típico alemão, cheio de calorias, perguntei à garçonete se o castelo no alto do morro, o "Stahleck", estava aberto à visitação. Ela disse que sim e que hoje ele é um albergue da juventude ( isso eu já sabia, então porque eu perguntei se estava aberto à visitação se os hóspedes tem que entrar? ) e que para se chegar até lá basta subir a escada ao lado da igreja, que tem uns 100 degraus. Bom, 100 degraus, pensei eu, é mole e bom pra gastar um pouco do que comi. Pois é, realmente, devia ter só uns 100 degraus... até a Capela Werner, no meio do caminho, porque a partir de lá era morro sem degrau mesmo. Bom, chegamos à Capela, que hoje tem em exposição um memorial a todos os judeus massacrados ao longo dos tempos. A vista é linda e dá pra ver como o rio Reno está baixo, formando-se ilhas em seu leito. A chegar ao castelo, entendemos porque é albergue da juventude: só sendo jovem mesmo pra subir o morro. Eu já passei da idade, paguei (uma parte dos) meus  pecados  na ida e na volta. Aliás, eu já estava grávida e só vim saber uma semana depois, talvez, por isso, o cansaço excessivo (se engana!). O castelo "Stahleck" foi destruído pelos franceses em 1689, como muitos castelos ao longo do Reno. Ele foi reconstruído logo após, mas a parte interna está toda modernizada para abrigar o albergue: uma noite para uma família com dois filhos custa 24 euros. Descemos o morro e fomos continuar a caminhada no resto da rua principal, uns 200 metros.

Lojinhas

Paramos numa loja de souvenires, onde tanto eu quanto o Amanzor, enfiamos os dois pés, e depois passamos em frente a uma loja de quadros e produtos de madeira. Uma bagunça de doer, baixou a dita aqui e eu  me deu uma puta vontade de organizar a bagunça do homem. Por uns 20 minutos, fomos os únicos fregueses na loja. O Amanzor admirou a quantidade de tabuleiros de xadrez e resolveu puxar conversa,  o homem disse que participa de campeonatos de xadrez e que ele mesmo pinta as aquarelas e faz os trabalhos em pirografia.  Conversa vai, conversa vem,  o Amanzor admirou o piano do homem, então, ele tocou uma música bem bonita pra gente naquele piano sujo e bagunçado, cheio de partituras jogadas  em cima. Ele perguntou de onde éramos e, ao falarmos de onde, ele se meteu a procurar a  partitura de "Aquarela do Brasil". O mais impressionante é que ele encontrou naquela bagunça toda. E tocou só um pedaço porque é muito rápida e difícil. Eu perguntei sobre "Tico Tico no Fubá", ele disse que essa ele nem tenta. Saímos de lá e fomos caminhar pela muralha que cerca a vila e que hoje é um caminho cheio de casas e restaurantes. Voltamos e fomos dormir.       


GEZus - TV pública paga - Já viu?

Você não pagou!

Tem-se no Brasil uma discussão constante sobre as concessões públicas de rádio e televisão para empresários, instituições e organizações privadas. Além de emissoras privadas, existem os canais de TV a cabo e via satélite e as emissoras públicas.  Mas nunca se discutiu (que eu saiba) cobrança de impostos ou taxas para manutenção dessas últimas. 
Agora, aqui na Alemanha é diferente. Todo mundo que tem um aparelho que recepciona emissões de rádio e/ou TV, incluindo-se aí celulares, computadores, rádio de carro e, se não me engano, até GPS, tem que pagar uma taxa  para uma instituição  chamada GEZ Gebühreneinzugszentrale der öffentlich-rechtlichen Rundfunkanstalten in der Bundesrepublik Deutschland (Centro coletor de taxas de emissoras públicas na República Federal da Alemanha- corrijam minha tradução, por favor). Essa instituição é uma sociedade de todas as 17 emissoras de Rádio e TV regionais do país. O dinheiro recolhido é direcionado para a produção de programas emitidos pelos membros da Gez, mas essas emissoras também são mantidas por patrocinadores, só que os  intervalos comerciais são mais curtinhos e somente entre um programa e outro, exceto a partir das 20h, quando os programans também tem intervalos comerciais.
Todo mundo tem que pagar a GEZ, exceto quem é desempregado, quem possui alguma deficiência grave,  quem vive de ajuda social ou ganham pouco, estudantes e aposentados, desde que se registrem como tal. Os pagamentos podem ser feitos trimestral, semestral ou anualmente, sendo 17,98 euros o valor correspondente a um mês por residência com aparelho de TV e to do o resto. Se você só tem rádio, paga menos. Como em qualquer lugar do mundo, nem todo mundo que deveria pagar, paga.  Eu pago e não é pouco. Este ano pagamos 215,76 euros (dinheiro suficiente pra comprar vários aparelhos de rádio).
Dizem que se você não se cadastra, existe uma checagem de novos moradores junto à prefeitura e o pessoal da GEZ vem bater na sua porta e, se você tiver algum aparelho receptor, você tem que pagar o valor referente a todo o periodo que mora no local. Eu achei melhor não correr o risco, mas tem gente que corre. Me lembrei que no Brasil tem gente que faz até "gato" pra não pagar luz elétrica, imagine se tivesse que pagar pra assistir TV ou ouvir rádio, na maioria das vezes, única fonte de diversão do povo? Seria uma novela.

sábado, 24 de abril de 2010

Bonn na guerra, melhor na paz

Apesar do blog chamar "Tudo de Bonn", eu pouco escrevi até agora sobre o centro da cidade.Eu costumo passear pouco por lá, mas na última semana fui duas vezes e, como um tempo atrás eu comprei uns livros sobre o bombardeio que a cidade sofreu em 18 de outubro de 1944(imagens que me fascinam e me chocam), fiquei imaginando como a cidade se recuperou em tão pouco tempo. Foi algo que não partiu unicamente do governo, que teve que ter a participação ativa do povo. Mas como isso se deu eu até então não sabia.
 Há dois  sábados, saímos para almoçar de novo com Herr Croll e eu disse a ele que uma das coisas que me fascinam na Alemanha é ver como o país se levantou depois da  Segunda Guerra Mundial.  Como eu sempre digo, eu não sei que apito meus vizinhos tocaram naquele tempo, mas ele é um doce, então, tendo a acreditar que ele era do bem. Ele, então, me  disse que todo mundo tinha que ajudar de alguma forma doando horas de trabalho para recuperar a cidade/país. Ele, por exemplo, ajudou na reorganização e recuperação da Biblioteca da Universidade de Bonn. Não é à toa que ele sempre recita trechos de poemas, canta trechos de músicas antigas ou normalmente tasca um teco de uma obra ou um ditado que vem sempre a calhar. O engraçado é que, da última vez que ele saiu com a gente, ele levou no bolso um papelzinho com os nossos primeiros nomes escritos. Toda vez que ele tinha que se dirigir a um de nós, ele tirava o papel do bolso, parecia um tique nervoso, coitado! Mas convenhamos, o homem tem 84 anos e teve um derrame há uns 4 meses. Depois de nos chamar tantas vezes pelo primeiro nome e depois de quatro anos morando  no mesmo  prédio, ele nos autorizou a "duzá-lo", ou seja, chamá-lo por "DU" - você -  e não mais "SIE" - senhor - e, portanto, chamá-lo pelo primeiro nome - Willi. Vai ser difícil pra gente se acostumar a chamá-lo pelo primeiro nome. É estranho toda essa formalidade, mas a gente  acaba se acostumando. Eu, até hoje, sou chamada de Frau Soffiatti por um monte de gente. Talvez eu devesse dizer pra me "duzarem", porque, afinal, sou uma  moçoila, mas quem faz as regras são eles e "em Roma eu como os romanos", como diria Millôr.
Voltando ao centro de Bonn. Fiquei imaginando, nas minhas últimas visitas, o quanto deve ter sido dura a vida das pessoas que passaram pela guerra e a força que tiveram que ter para rever valores, recuperar as suas vidas e o lugar em que vivem, coisa que muitos jovens não tem a mínima noção e nem se interessam por saber, por isso que o "novo movimento dos homis" tá com força total.
Abaixo, algumas fotos da Altes Rathaus - Antiga Prefeitura de Bonn, bem no centro da cidade ( eu juro que eu não vou fazer a piadinha da "casa dos ratos".)

                                          
      Fotos acima tiradas no começo do século passado

                                                                 Final do Século XIX
Fonte das fotos acima: Wikimidia commons

 Rathaus destruída pelo bombardeio de 1944
O predinho do lado esquerdo da prefeitura é um restaurante chamado "Em Höttche" que ainda existe e serve comida típica alemã. Sua história começa em 1389. Segundo seu site, uma bruxa foi queimada no local e Beethoven dançou com sua amada. Apesar de ter sido destruído durante o bombardeio de 18 de outubro de 1944, foi  todo restaurado e, quando se entra no local, parece uma viagem ao passado, como em muitos locais por aqui.
Toda cidade alemã tem um "Marktplatz" - a praça do mercado, uma área espaçosa como esta das fotos abaixo que era o centro da vida da cidade. Ainda hoje  ela é utilizada para esse fim. As frutas e verduras parecem bem fresquinhas e bonitas e são mais caras do que no supermercado, mas dizem que você não pode escolher os produtos você mesmo e que os vendedores acabam colocando na sacola mercadoria que não está fresca. Já vi esse filme.
Essa foto foi tirada em 1936, a praça está cheia de flâmulas nazistas para celebrar as Olímpiadas.




Este prédio não teve as duas torres restauradas depois da bomba (duas fotos acima)
Capa do livro que eu comprei sobre o bombardeio

Münsterplatz - praça da Catedral de Bonn com a Estátua de Beethoven, a danada ficou em pé no bombardeio



Universidade de Bonn, onde Willi trabalhou como voluntário na reorganização da biblioteca
Torre noroeste do prédio principal da universidade

Essa foto eu que tirei mas não sei de que torre é. Não tenho a mínima noção de ponto cardeal.
Xiiii, esqueci que tenho que ligar para o Amanzor que está lá em cima na casa do Willi tomando cerveja. Vai descer a escada rolando se eu demorar muito.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Calças sujas

Penduradas atrás da porta do quarto estavam 4 calças do Sr. Soffiatti:
"Quais delas estão sujas?", perguntei.
"Esta e esta.", disse ele.
" E você esperava que elas fossem para a máquina de lavar andando?"
"Não. Eu esperava que elas fossem trabalhar por mim."

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